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Ferrol surrealista

http://www.diariodeferrol.com/opinion/henrique-dacosta/ferrol-surrealista/20171129223455209822.html





Ferrol, esa espiña cravada no máis fondo. A miña amadodiada cidade, velaquí está de novo. En todo estás e ti es todo. Ferrol é, unha vez máis, motivo das nosas coitas. Sempre haberá, no entanto, algunha luz que alume alá no cabo do túnel. Eis, pois, o meu artigo nesta ocasión para o Diario de Ferrol.








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O Eça de Queirós d'O primo Basílio

BREVE INTRODUÇÃO À OBRA QUEIROSIANA:
Existem sem dúvidavários Eça, dado o prosista poveiro demonstrar de princípio a fim da sua obra bem diferentes perfis. A presença do exotismo e do mundo onírico, e a capacidade para causar estranheza no leitor, cobra relevância n'O mandarim, um esquisito romance breve, quase poderíamos falar em novela. A história fantástica de um mesquinho amanuense que por arte de magia se torna um fabuloso senhor a quem nenhum prazer é vedado, converte-a numa exceção dentro da sua produção realista. Assim mesmo, já n'O mistério da estrada de Sintra, que foi a sua primeira tentativa de ficção, embora de autoria conjunta com Ramalho Ortigão, seja possível visarmos um antecipo da novela policial de hoje. Além do mais, ainda existe um terceiro romance, A relíquia, obra em que o burlesco e o grandioso alternam, e a fantasia consegue deformar figuras, enquanto a ação desenvolve a Paixão de Cristo na serenidade da paisagem da Palestina. Eis três das narrações ma…

Cinco dias, cinco noites: o interlúdio de Manuel Tiago

BREVE DEPOIMENTO BIOGRÁFICO
O nome de Manuel Tiago teve que aguardar até 1995 para poder ser ligado ao do dirigente do Partido Comunista Português, Álvaro Cunhal, o qual, além da dedicação à palestra política, ainda teve tempo para pintar e escrever. Manuel Tiago, portanto, é um pseudónimo ou heterónimo do Álvaro Cunhal quanto prosista. Não faz questão que a literatura cultivada por ele esteve fortemente vinculada com o neo-realismo e, nomedamente, com uma estética que evidencia o panfletário. Dito doutra maneira, a literatura vai estar nele ao serviço da causa.
A sua escrita, apesar da sua obra ter sido publicada após a Revolução de 74, tinha sido começada na década de 50, entre a clandestinidade, a passagem pelos calabouços da PIDE, pela cadeia de Peniche, etc. O discurso de que ele se provê não foge do real, não o escamoteia, pois não tenta esconder as suas origens doutrinárias e de classe, já que, contrariamente, é a partir dele que assume um contributo ideológico contra o fascis…

Miguel Sousa Tavares e o seu "Equador"

1.- ARGUMENTO:
Luís Bernardo Valença pertence à alta burguesia lisboeta. Seu pai deixa-lhe em herança a posição de sócio principal de uma companhia de navios que fazem diferentes rotas comerciais. Estamos a falar da Companhia Insular de Navegação, encarregada de transportar cargas e passageiros entre a ilha da Madeira, as Canárias, o arquipélago dos Açores e o Cabo Verde. A vida do homem é regalada, despreocupada, entregue ele às reuniões e tertúlias com pessoas da boa sociedade lisboeta. Goza da amizade, por exemplo, de Bernardo de Pindela, conde de Arnoso, o qual faz parte do grupo de “Os Sobreviventes”, justamente em oposição ao de “Os Vencidos da Vida”, de que participava no seu momento Eça de Queiroz. Essa vida nocturna lisboeta de que o Basíliotanto se queixava (falamos do do seu romance O primo Basílio) por falta de locais onde poder desfrutar, e que nestes se tornava todo o contrário, dispostos a extrair daquela vida capitalina do início de novecentos quanto partido ela lhes…